04 Jun

Pandemia agrava situação de migrantes bolivianos em São Paulo

Publicada em: 04/06/2020

Por Lourdes Marinho
Edição: Nilza Murari
 
A situação para migrantes bolivianos sempre foi de muito trabalho e poucos direitos e durante a pandemia da Covid-19 piorou, especialmente no setor têxtil. Matéria da Repórter Brasil mostra casos de imigrantes bolivianos que estão passando por dificuldades como ameaças de despejo por conta de aluguel atrasado, casos de trabalho escravo –  como o das irmãs bolivianas resgatadas pela Fiscalização do Trabalho – e aumento da violência doméstica.
 
Não conseguir renegociar o aluguel é um dos muitos problemas enfrentados por bolivianos durante a pandemia, uma vez que recebiam pela costura de peças que despencou pós-pandemia. Geralmente eles conseguem manter a alta produção com jornadas exaustivas.
 
A combinação entre maior demanda por máscaras, crise e falta de trabalho acelerou a precarização do trabalho entre os informais. Agora eles recebem apenas 10 centavos por máscara produzida – o valor de venda é de cerca de 10 reais. “Por isso nessa pandemia é ainda mais importante lembrar dos direitos e da saúde dos trabalhadores”, afirma Lívia Ferreira, Auditora-Fiscal do trabalho.
 
No caso das irmãs bolivianas, de 19 e 22 anos, a crise do coronavírus foi usada para impedir que as jovens saíssem da oficina e assim mantê-las em cárcere privado.  Em meio à crise do coronavírus, as costureiras estrangeiras passaram dois meses ‘confinadas’ em oficina de costura, trabalhando 14h por dia e recebendo menos que o salário mínimo.
 
Elas entraram no Brasil ilegalmente. Um coiote as ajudou a atravessar a fronteira, junto do aliciador, de 55 anos, conhecido por levar jovens para trabalhar em oficinas de costura na maior metrópole do Brasil. Era manhã de 22 de março. Àquela altura, a fronteira na Bolívia estava fechada em razão da pandemia de coronavírus. Veja aqui matéria no site do SINAIT sobre este  caso.
 
“Nem uma pandemia foi capaz de deter o tráfico de pessoas e o trabalho escravo no Brasil”, lamenta o Auditor-Fiscal do Trabalho Magno Riga, que coordenou a ação de resgate das irmãs. “Percebemos que os donos das oficinas usavam a crise do coronavírus para impedir que as jovens saíssem da oficina. A coação é comum, e agora a pandemia serve como desculpa para o confinamento de trabalhadores”, informou.
 
Veja aqui a integra da matéria da Repórter Brasil sobre a situação dos bolivianos na pandemia.  
 
 
Para denúncias trabalhistas:  https://denuncia.sit.trabalho.gov.br/home
 
Para denúncias de condições análogas às de escravo e tráfico de pessoas:  https://sisacte.sit.trabalho.gov.br/#!/ ​