26 Jun

TV SINAIT: live discutiu o papel dos psicólogos que cuidam dos profissionais de saúde na pandemia

Publicada em: 26/06/2020

Por Andrea Bochi

Edição: Nilza Murari

O canal TV SINAIT no YouTube apresentou nesta quinta-feira, 25 de junho, a live que abordou um tema importante, mas pouco debatido durante a pandemia: “A fragilização dos profissionais da saúde antes e durante a pandemia da Covid-19”. O debate foi mediado pela advogada trabalhista e Doutora em Psicologia Carla Maria, e participaram da transmissão a Auditora-Fiscal do Trabalho Jacqueline Carrijo, que é coordenadora das auditorias em estabelecimentos de saúde da Superintendência Regional do Trabalho de Goiás – SRT/GO; a psicóloga Ionara Vieira Moura Rabelo, com experiência em situações de crise e consultora do programa Médicos sem Fronteiras; e a procuradora do Trabalho Janilda Guimarães. 

Ionara Rabelo, que é de Goiás, foi a debatedora que expôs tecnicamente a situação por que passam os profissionais de saúde durante a pandemia. Respondendo ao questionamento sobre quais são os impactos psicológicos da pandemia na população em geral, ela explicou que no documento compactuado por mais de 40 países  há uma pirâmide em que as pessoas que estão na base vão sofrer intensamente, ter medo, choro, letargia, angústia, o que é considerado normal. Outros 25% podem ter um sofrimento genuíno em momentos pontuais e vão precisar de um profissional de saúde para os primeiros tratamentos psicológicos e apenas 3 a 4% vão desenvolver o transtorno mental.  

Entre os profissionais de saúde esses números podem ser maiores dependendo de como eles vivenciam a situação no trabalho. “O medo tem alterado o comportamento dos colegas e a possibilidade de proteção tem aumentado o contágio. Entre trabalhadores da saúde, entre os quais estão envolvidos motoristas, administrativos e trabalhadores da ambulância, há os que têm descaso com a vida e colocam em risco toda a equipe, e pensam que o vírus é só uma gripe. Há também os que têm compromisso genuíno com a vida e são os que mais me acalentam, pois buscam soluções e se dedicam à proteção própria e dos demais”, explicou a psicóloga.

Para ela, a estratégia a ser seguida pela população é buscar informações seguras para não aumentar a ansiedade, fazer exercícios, buscar segurança, diminuir a ansiedade. Para os profissionais de saúde são necessárias outras estratégias de cuidado, como uma comunicação transparente da liderança evitando desconfianças, a possibilidade de ter encontros quando é falado sobre as medidas a serem tomadas. Ela cita a criação de trabalho em dupla, em que um profissional auxilia o outro em todos os momentos de risco, garantindo segurança, descanso da forma correta, paramento e desparamento correto, entre outras medidas para minimizar os riscos. A dupla ajuda até mesmo na questão afetiva, no distanciamento necessário entre colegas, e muitos outros cuidados podem ser divididos com a dupla.

Jacqueline Carrijo explicou que em janeiro desse ano ela coordenou a construção de um documento que estabeleceu notificações recomendatórias com base em necessidades identificadas na análise de cenário do que estava acontecendo em outros países. “Praticamente todos os dias temos mudanças em processos e métodos de trabalho e uma das mudanças que, desde o primeiro momento, ficou evidente, é a necessidade de apoio psicológico para profissionais da saúde. O aumento de demanda resultou em uma maior carga de trabalho para todos eles”, destacou.

A Auditora-Fiscal lembrou ainda que se fala tanto na higienização das mãos e há muitas unidades de saúde que não possuem nem mesmo água para todos lavarem as mãos. “São muitos desafios e dificuldades que os profissionais enfrentam: insegurança, medo, fragilidade diante da falta de material, falta de intimidade com muitos equipamentos, a angústia de ter que escolher quem será salvo”, lamentou.

Na opinião de Carrijo, atualmente, a responsabilidade de escolher quem vai viver ou morrer é, muitas vezes de uma só pessoa, causando angústias e sofrimentos. Segundo ela, há um forte trabalho para fortalecer as equipes técnicas e criar protocolos que evitem essa sobrecarga. “Esta responsabilidade jamais poderia estar sobre uma pessoa só”, refutou.

Lidando há mais de dez anos com fiscalizações no setor de saúde, Jacqueline observa que a pandemia da Covid-19 “impõe mudanças na organização e condições de trabalho que potencializam os riscos de adoecimento mental dos profissionais de saúde. Ansiedade, síndrome do pânico, nervosismo, insônia, medo, sentimento de frustração, fadiga e conflitos interpessoais aumentaram”. Nesse momento, mais do que nunca, muitos trabalhadores do setor vivem grandes desafios ético, moral, religioso e humano, o que exige atenção e cuidado. 

Esse cenário coloca em evidência a necessidade de apoio psicológico aos profissionais da saúde. Também mostra a importância de comissões de apoio, de equipes multidisciplinares no desenvolvimento de estratégias de cuidado aos trabalhadores e de ferramentas novas adequadas ao momento e realidade enfrentados.  

Na sua manifestação, a procuradora do Trabalho Janilda Guimarães esclareceu que a necessidade da live surgiu a partir da percepção de quanto fundamental é a questão para os profissionais da saúde neste período de pandemia. “Estamos desenvolvendo um acompanhamento amplo dos hospitais e clínicas privadas durante a pandemia, tratando de todas as questões necessárias para que esses ambientes de trabalho tenham maior segurança e protejam seus trabalhadores e, por consequência, a população que está sendo atendida”, contou.

A live, que está disponível no canal TV SINAIT no YouTube, teve o apoio do SINAIT, Ministério Público do Trabalho de Goiás, Secretaria de Saúde do Estado de Goiás, Fórum de Segurança e Saúde no Trabalho de Goiás e Associação Goiana de Engenheiros de Segurança no Trabalho. 

Acesse o canal TV SINAIT no YouTube.

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