23 Mai

Em audiência na ALMG, SINAIT pede paz e justiça para a Chacina de Unaí

Publicada em: 23/05/2022

Por Solange Nunes
Edição: Andrea Bochi

“A impunidade precisa acabar. Já se passaram 18 anos. Precisamos que a justiça aconteça e o mandante seja novamente condenado pela morte dos nossos colegas Auditores-Fiscais do Trabalho e do motorista do Ministério do Trabalho”, disse o presidente do SINAIT, Bob Machado, durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, nesta segunda-feira, 23 de maio, em Belo Horizonte. O encontro foi mediado pela deputada estadual Andrea de Jesus (PT). Participaram ainda da audiência, a delegada sindical do SINAIT, Ivone Corgosinho Baumecker, Helba Soares da Silva, viúva do Auditor Nelson José da Silva, Carlos Calazans, que era delegado do trabalho em MG, à época, e o advogado do SINAIT, Roberto Tardelli, entre outros.

De acordo com Bob Machado, a entidade volta à tribuna para pedir justiça para a Chacina de Unaí. “Em 2015, estivemos aqui para pedir a condenação dos acusados de serem os mandantes do crime. Todos foram exemplarmente condenados com penas de cerca de 100 anos, um século. Mas, além de permanecerem em liberdade, um dos condenados, Antério Mânica, teve seu julgamento anulado, em 2018, pelo TRF da 1ª Região”.

Nestes 18 anos, apesar das lutas, continuou o presidente do SINAIT, os mandantes condenados permanecem soltos. “Estamos aqui, mais uma vez, pedindo justiça para nossos colegas Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage e Nelson José da Silva, e o motorista Ailton Pereira de Oliveira e suas famílias”.

Bob Machado declarou que os Auditores-Fiscais do Trabalho são servidores que defendem os direitos básicos dos trabalhadores, tais como o direito ao registro em carteira, ao pagamento do salário em dia, ao descanso remunerado, à correta jornada de trabalho, entre outros. “Esses direitos é que estavam sendo desrespeitados por esses maus empresários de Unaí que além de explorar os trabalhadores ainda prejudicavam os bons empresários com a concorrência desleal e, para manter isso, encomendaram o crime, pois se sentiram incomodados com a presença da fiscalização”.

Para o presidente, ninguém está acima da lei. “É preciso dar um desfecho a esta injustiça. Vamos continuar trabalhando para que isso aconteça”.

A delegada sindical Ivone Corgosinho Baumecker enfatizou o pedido de justiça de maneira emocionada. “São anos de luta pedindo justiça. Esta situação precisa se encerrar e só será possível com a condenação e efetiva prisão dos mandantes”.

Carlos Calazans relatou a emoção de ter participado como delegado do Trabalho de todo o processo de transporte dos corpos e de ter que tomar as providências para que as investigações tivessem início. “Eu também estava sendo ameaçado de morte e passei por algumas situações em que precisei de escolta policial”, declarou.

Emoção compartilhada pela viúva Helba Soares, que questionou a demora do julgamento e a anulação da condenação do mandante Antério Mânica. “Parece que a justiça no Brasil é apenas para preto e pobre, os ricos não são presos. Infelizmente, amanhã teremos mais um episódio deste caso. Não sabemos como vai acabar. Queremos justiça”.

Argumentos usados também por outros expositores, como, por exemplo, o dirigente do SINAIT, Lucas Reis; o sindicalista da CUT/MG Jairo Moreira, o cidadão Aloizio de Araújo, entre outros participantes.

Após as exposições, o presidente do SINAIT convidou os presentes a participarem do ato público para pedir justiça, às 8h, nesta terça-feira, 24 de maio, em frente à sede da Justiça Federal em Belo Horizonte.

Saiba mais sobre o caso na Landing Page do SINAIT.