08 Ago

Italianos vítimas do amianto vão ingressar com ação contra Eternit no Brasil

Publicada em: 08/08/2017

Nesta semana, no dia 10 de agosto, volta à pauta do Supremo Tribunal Federal (STF), às 14h, o julgamento sobre a proibição de produtos que contêm quaisquer tipos de amianto ou asbesto, um mineral fibroso reconhecidamente cancerígeno, no Brasil. Para fortalecer este debate, desembarcou no país, no dia 5 de agosto, o italiano Ítalo Ferrero, 77 anos, que iniciou como aprendiz-eletricista aos 14 anos na fábrica Civit – incorporada pela Eternit do Brasil em 1962. Ele representa vários antigos empregados da fábrica e encampa uma Ação Civil Pública (ACP) de trabalhadores da Eternit do Rio de Janeiro contra a empresa por conta da exposição ao amianto.

O STF retoma o julgamento de cinco Ações Direitas de Inconstitucionalidade (ADIs) sobre o banimento da substância nos estados de São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Histórico

Ítalo Ferrero veio com os pais e migrou para o Brasil com cerca de 30 famílias italianas, durante as décadas de 1940 a 60, para trabalhar na fábrica - então chamada Civilt -, localizada em Guadalupe, na zona Norte do Rio de Janeiro, e que sofreram, anos depois, sérias sequelas provocadas pelo contato com as fibras de amianto. À véspera do golpe militar de 64, em função das turbulências políticas no país, a maioria dos italianos, inclusive, a família de Ítalo Ferrero retornou à Itália.

Ítalo, hoje com 77 anos, foi diagnosticado anos atrás como portador de placas pleurais, com sérias alterações funcionais, entre outros agravantes. Seu cunhado, que também veio menino na mesma leva de imigrantes, e que aqui se conheceram, na fábrica do Rio de Janeiro, faleceu na Itália de mesotelioma, um tipo raro de câncer, cuja única causa conhecida é o amianto. É chamado o “câncer do amianto”.

Ítalo retorna ao Brasil depois de 54 anos. Traz consigo uma lista de nomes dos italianos com quem trabalhou e que por aqui permaneceram. Ele vem ajudar a Abrea - Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto a ampliar a sua ação coletiva. Entre estes nomes estão Vittorio Antoniani, Armando Briata, Carlo Cassini, Vincenzo Gabba (falecido) e Ernesto Gili. Um dos maiores sonhos de Ítalo seria o de reencontrá-los vivos ou, pelo menos, seus familiares. Supõe-se que muitos ainda possam viver no Rio de Janeiro.

Além de fortalecer a resistência contra o amianto, Ítalo Ferrero também irá fazer exames na Fiocruz, encontrar com membros da Abrea e advogados, para ingressar com uma Ação Civil Pública, também com o objetivo, além de buscar seus conterrâneos e familiares, enfatizar a necessidade do banimento total do amianto no país, como ocorreu na Itália em 1992.

Supremo

O STF retoma, nesta semana, no dia 10 de agosto, o julgamento, que foi suspenso no Supremo em 23 de novembro, em função do pedido de vistas do ministro Dias Toffoli. O debate se arrasta há mais de uma década no país, toca em uma questão vital de saúde pública, sobretudo dos trabalhadores.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima-se que 125 milhões de trabalhadores em todo o mundo estão expostos ao amianto em seus locais de trabalho, como bombeiros, eletricistas, os de manutenção civil, elétrica e mecânica, os trabalhadores da construção naval e civil, os da indústria química, plástica, têxtil e automobilística.

Atividades

O Sinait participa das atividades desta semana contra o uso do amianto e convida os Auditores-Fiscais do Trabalho para fortalecer a agenda: Seminário sobre o futuro das leis que proíbem o amianto no Brasil – STF julga fim do uso do Amianto,terça-feira, 8 de agosto, às 15h, no Hotel Athos Bulcão Hplus Executive; Exibição do filme: Não respire – Contém amianto, quarta-feira, 9 de agosto, às 10h, no auditório do Interlegis do Senado Federal. A retomada do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, na quinta-feira, 10 de agosto, a partir das 14h, no STF, na Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).

Com informações da Abrea.