11 Out

30 anos do Sinait: Em ato, autoridades e dirigentes defendem a fiscalização do trabalho e a democracia

Publicada em: 11/10/2018

Por Solange Nunes

Edição: Nilza Murari

Em ato que fez parte das atividades de comemoração dos 30 anos do Sinait, dirigentes e Auditores-Fiscais do Trabalho protestaram contra as ameaças de extinção do Ministério do Trabalho e pediram o fortalecimento da democracia. A manifestação ocorreu nesta quarta-feira, 10 de outubro, em frente ao prédio sede do Ministério do Trabalho, em Brasília (DF).

De acordo com Sérgio Voltolini, presidente da Confederação Iberamericana de Inspetores do Trabalho – CIIT, as manifestações de resistência contra os ataques ao Ministério do Trabalho e aos Auditores-Fiscais do Trabalho são de suma importância. Ele lembrou que o Sinait e a CIIT denunciaram o caso em Genebra, na Suíça, durante a 107ª Conferência Internacional do Trabalho.

A questão também foi apresentada por ele durante o “Seminário Internacional: 30 anos da Constituição Cidadã e um ano de Reforma Trabalhista”, nesta semana, em Brasília. “Os Auditores-Fiscais precisam ser fortalecidos. O número de apenas 2.303 Auditores é ínfimo para proteger uma População Economicamente Ativa de mais de 70 milhões de trabalhadores”.

O presidente da CIIT disse ainda que a situação é de resistência e luta contínua. “A situação política do país é ruim. O Sinait já apresentou várias denúncias e precisa continuar denunciando aos órgãos internacionais e cobrando respostas”.

Grandes discussões 

Rosângela Rassy, diretora de Política de Classe do Sinait, falou que os representantes do Sinait querem participar das grandes discussões que envolvam a Auditoria-Fiscal do Trabalho no país. “O Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho já provou a sua importância para a categoria e para a administração pública e quer participar das grandes discussões dentro e fora do Ministério do Trabalho”.

Ela disse que foi criada uma comissão para debater a reforma trabalhista, no âmbito do Ministério do Trabalho, e o Sinait está, até o momento, participando apenas como ouvinte. “A categoria reivindica voz. Queremos ser ouvidos pelo Executivo, senão vamos buscar outros caminhos”. Concluiu dizendo que a “categoria quer discutir com a Administração o futuro dos trabalhadores no país e da Auditoria-Fiscal do Trabalho em todos os momentos”.

Resistência

Sebastião Estevam, diretor de Assuntos Culturais, evidenciou a postura de resistência da categoria contra as ameaças de extinção do Ministério do Trabalho. Lembrou que há 23 anos tomava posse no cargo como Auditor-Fiscal do Trabalho. “É um momento de resistência e também de muita alegria. Devo registrar que me filiei à época ao Sinait, que completa 30 anos de luta. Desde esse período, participei 23 anos, com muita honra”.

Também cobrou justiça pelas mortes de três Auditores-Fiscais do Trabalho e um motorista do Ministério do Trabalho, em 2004, no caso conhecido como Chacina de Unaí. “Eu poderia ter estado dentro daquele carro junto com os colegas que foram brutalmente assassinados. Pedimos justiça e que os mandantes condenados sejam finalmente presos e cumpram suas penas pelas pessoas, famílias e o Estado Brasileiro”.  ​