11 Mar

Previdência Rural: especialistas e sindicalistas analisam que as mulheres serão as mais prejudicadas

Publicada em: 11/03/2019

Por Solange Nunes

Edição: Andrea Bochi

Os especialistas e sindicalistas alertaram sobre os impactos da Proposta de Emenda à Constituição nº 6/2019, reforma da Previdência, na Previdência Rural. Eles analisaram que entre os vários prejuízos aos trabalhadores homens e mulheres do setor rural, as mulheres serão as mais prejudicadas. As explanações sobre o tema ocorreram, nesta segunda-feira, 11 de março, na ala senador Nilo Coelho, Plenário 6, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, em Brasília (DF). O debate foi mediado pelo presidente da CDH, senador Paulo Paim (PT/RS), e contou com a participação do diretor do Sinait Marco Aurélio Gonsalves. 

Entre as questões colocadas, eles ponderaram que 70% das mulheres trabalhadoras rurais, atualmente ocupadas, terão que trabalhar entre 41 e 46 anos para alcançar a idade de aposentadoria. As expectativas de vida nos municípios do país são diferentes, normalmente, não superam os 65 anos de idade. A atividade no campo é extremamente penosa. Estes e outros pontos precisam ser revistos na proposta para não penalizar ainda mais o segmento rural que convive diariamente com tantos desafios.  

Evandro José Morello, assessor Jurídico para Assuntos Previdenciários da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), enfatizou a situação penosa da atividade no campo. “A atividade agropecuária é de alto risco e exige muito dos trabalhadores. É comum ainda a perda de produção devido às intempéries climáticas com estiagens ou excessos de chuva”. 

Cleonice Back, coordenadora Estadual da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf-Brasil/CUT), relatou as dificuldades diárias do trabalho na agricultura. “As atividades exigem muito da mulher agricultora, principalmente, na agricultura familiar. As mulheres iniciam o trabalho muito cedo aos 12 e 14 anos e aos 55 não têm mais condições de trabalhar. São muitas horas sob o sol e também longas jornadas do amanhecer do dia até o anoitecer”. 

Marcos Rochinski, coordenador-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf-Brasil/CUT), disse que a reforma é mequetrefe e desrespeitosa. “Demonstra a displicência do Poder Público com a população trabalhadora e aos mais pobres do país”. 

Ao final da audiência, após críticas e análises, os expositores argumentaram sobre a importância em revisar e trabalhar por um texto com mais justiça social. O senador Paulo Paim continuará promovendo audiências para debater o tema. O Sinait pretende acompanhar e participar das discussões preocupado com a manutenção e fortalecimento dos direitos dos trabalhadores brasileiros.