11 Abr

SINAIT em defesa da aposentadoria digna para as mulheres brasileiras

Publicada em: 11/04/2019

Por Solange Nunes

Edição: Nilza Murari

Cerca de 600 mulheres representando entidades, associações, sindicatos e confederações, deputadas e senadoras, participaram do ato público “Mulheres Unidas em defesa da aposentadoria”, nesta quinta-feira, dia 11 de abril, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). O objetivo é sensibilizar os parlamentares sobre os prejuízos da Proposta de Emenda à Constituição  – PEC 6/2019, reforma da Previdência, que penaliza principalmente, as mulheres, as negras, as pobres e as trabalhadoras rurais. O evento contou com a participação do presidente do SINAIT, Carlos Silva, da vice-presidente Rosa Maria Campos Jorge e das diretoras Dalva Coatti e Vera Jatobá e do delegado sindical no Piauí, Alex Myller. 

Para as dirigentes do SINAIT, a PEC 6 traz prejuízos sérios para a vida social e laboral das trabalhadoras. “O Sindicato Nacional atua pelo trabalho digno para homens e mulheres. Estamos aqui para nos unirmos às mulheres trabalhadoras brasileiras na luta por uma Previdência justa para todos e contra a PEC 6/2019”, disse Rosa Jorge. 

Neste embate de resistência e luta, os discursos das mulheres unidas pela aposentadoria digna revelaram pontos perversos da PEC 6/2019. Elas denunciaram a retirada de direitos, o ataque à Constituição Cidadã, as falácias do déficit da Previdência e dos privilégios dos servidores públicos, entre tantas outras mentiras propagadas pelo atual governo. 

A líder da Minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ), enfatizou que é fundamental repudiar a proposta e fortalecer a resistência feminina no Parlamento. “Pela primeira vez, temos 77 deputadas federais na Câmara, precisamos nos unir e repudiar esta proposta que prejudica, principalmente, as mulheres, as negras, as pobres e as trabalhadoras rurais”. 

A deputada Benedita da Silva (PT/RJ) bradou que a reforma da Previdência é trabalho escravo. “Já conseguimos nossa liberdade, não queremos morrer trabalhando”. Enfatizou ainda que as mulheres precisam estar unidas, não importa a cor da pele, classe social ou profissão. “A reforma da Previdência acaba com a liberdade. Fora reforma da Previdência! Precisamos lutar unidas!”. 

A deputada indígena Joenia Wapichana (Rede/RR) conclamou as mulheres guerreiras. “Estamos aqui para somar a luta de todas as mulheres guerreiras do Brasil. As indígenas são consideradas trabalhadoras rurais. A reforma não pretende acabar com os privilégios e sim com os direitos dos mais pobres”. 

A deputada Gleisi Hoffmann (PT/PR) disse que o capítulo dos Direitos Sociais é um dos mais bonitos da Constituição Cidadã. “Lutar pelas mulheres é trabalhar pela manutenção dos direitos sociais. Precisamos lutar pelas trabalhadoras rurais, domésticas e por todas as trabalhadoras brasileiras. Não à reforma da Previdência”. 

Resistir e lutar

As palavras “resistir e lutar” foram usadas durante o ato público pelas representantes das associações, sindicatos e confederações como um grito de guerra e coragem. Graça Costa, da CUT, disse que a reforma é mais um item do desmanche do Estado. “Precisamos reagir e resistir. A reforma trabalhista iniciou o processo de desmonte do Estado. Agora querem aprovar a reforma da Previdência que vai atingir cruelmente as mulheres. Nós não vamos permitir”. 

Vera Moraes, da Nova Central, enfatizou que a reforma vai ferir de morte as trabalhadoras brasileiras. “Rejeitem a matéria que vai destruir as famílias brasileiras”. 

Maria Rita Rosa, do MMCC Brasil, falou pelas mulheres do campo. “As mulheres do campesinato vão resistir. Vamos lutar, não vamos permitir que a reforma prejudique mais as mulheres rurais. Queremos dignidade”. 

Antônia Ivoneide, do MST, chamou as trabalhadoras para a luta. “As trabalhadoras rurais estão na luta contra a reforma e não aceitaremos mais ataques contra os nossos direitos”. 

Falaram ainda contra a reforma da Previdência as deputadas Alice Portugal (PCdoB/BA), Aurea Carolina (PSol/MG), Benedita da Silva (PT/RJ), Caroline De Toni (PSL/SC), Celina Leão (PP/DF),Fernanda Melchionna (PSol/RS), Joemia Wapichana (Rede/RR), Lidice da Mata (PSB/BA), Luiza Erundina (PSol/SP), Maria do Rosário (PT/RS), Natalia Benavides (PT/RN), Perpetua Almeida (PCdoB/AC), Professora Dorinha (DEM/TO) Sâmia Bonfim (PSol/SP) e Tereza Nelma (PSDB/AL), e a senadora Zenaide Maia (Pros/RN). 

Também prestigiaram o evento e repudiaram a proposta os deputados Alessandro Molon (PSB/RJ), André Figueiredo (PDT/CE), Carlos Zaratin (PT/SP), Henrique Fontana (PT/RS), Ivan Valente (PSol/SP), José Guimaraes (PT/CE), Marcelo Freixo (PSol/RJ), Túlio Gadelha (PDT/PE), entre outros. 

O ato foi encerrado pelo grupo de maracatu pernambucano “Movimento de Empoderamento Feminino”. “A força da mulher está em todos os lugares. Somos luta, resistência e história”.  ​