12 Abr

PE: Em fazenda em Arcoverde, Auditores-Fiscais do Trabalho resgatam dez empregados da escravidão

Publicada em: 12/04/2019

Por Dâmares Vaz, com informações da SRT/PE

Edição: Nilza Murari

Auditores-Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho em Pernambuco – SRT/PE resgataram dez trabalhadores que viviam em condição análoga à de escravos em uma fazenda em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco. Aliciados em cidades próximas, como Camocim de São Félix e Buíque, os empregados moravam e trabalhavam em situação degradante em uma plantação de tomates quando foram encontrados, no dia 10 de abril. A ação contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal e do Ministério Público do Trabalho.

Além dos trabalhadores reduzidos a escravos, outros 37 não tinham as Carteiras de Trabalho assinadas. As irregularidades constatadas pela equipe de fiscalização atingiam tanto os alojamentos quanto as frentes de trabalho, onde os trabalhadores, entre outras atividades, lidavam com agrotóxicos.

Nas frentes de trabalho, não existiam instalações sanitárias, local para refeição, água, e nem equipamento de proteção individual. Os empregados que aplicavam os agrotóxicos não contavam com treinamento ou equipamento de proteção individual adequado ao risco. Não havia local para lavagem de vestimentas e para higienização dos aplicadores de agrotóxico. O veneno era armazenado a céu aberto e diretamente no chão, com risco de contaminação ambiental.

Nos alojamentos a situação não era melhor. Cobertura de lona, paredes rachadas, parte elétrica oferecendo risco de eletrocussão aos trabalhadores e curto circuito, janelas sem proteção por onde podiam entrar animais peçonhentos, eram algumas das características da estrutura. Não havia banheiros, obrigando os empregados a fazerem as necessidades no “mato” e a tomar banho no rio. Eles dormiam em triliches improvisados e colchões velhos e sujos, dispostos diretamente no chão ou em cima de caixotes. Muitos dos colchões, além das roupas de cama, foram comprados pelos trabalhadores.

Outras irregularidades constatadas foram a presença de botijões de gás dentro do alojamento e a ausência de armários, mesas e cadeiras, o que levava os empregados a fazerem a alimentação diretamente no chão.

A SRT/PE informou que, além dos autos de infração lavrados, deve haver apuração criminal. Os trabalhadores envolvidos irão receber, em média, R$ 3 mil em indenização.​