18 Dez

PI: Trabalhadores baianos são resgatados de carvoaria no município de São José do Peixe

Publicada em: 18/12/2019

Por Solange Nunes

Edição: Nilza Murari

Os Auditores-Fiscais do Grupo de Fiscalização Rural da Superintendência Regional do Trabalho do Piauí – SRT/PI resgataram 14 trabalhadores, dentre eles um adolescente de 15 anos e alguns idosos, de uma carvoaria no município de São José do Peixe, no interior do Piauí. As vítimas viviam em situação degradante e cumpriam jornadas exaustivas. Participaram ainda da operação integrantes da Procuradoria Regional do Trabalho com o apoio da Política Rodoviária Federal – PRF. A operação iniciada em novembro estendeu-se até dezembro. O município de São José do Peixe fica a 353 km de Teresina.

De acordo com o coordenador da operação, o Auditor-Fiscal do Trabalho Robson Waldeck Silva, os empregados estavam laborando de maneira degradante, sem nenhum equipamento de proteção. “Os trabalhadores foram contratados ainda na Bahia, na cidade de Palmas de Monte Alto, há cerca de dois meses, e trazidos para o Piauí, mas a maioria não tinha qualquer vínculo formal com os empregadores, e nenhum passou por exame médico admissional”.

Os trabalhadores relataram aos Auditores-Fiscais do Trabalho que foram contratados com a promessa de que receberiam um salário regular, que ficariam em boas acomodações e utilizariam os equipamentos de proteção individual. “Segundo os depoimentos, eles vieram enganados. Há então indício de aliciamento de trabalhadores que será verificado durante o processo”, explicou Robson Waldeck.

Trabalho degradante

O Auditor-Fiscal disse que “alguns tinham ferimentos leves, causados pela atividade. Eles passavam por uma jornada exaustiva, trabalhavam por produção e recebiam menos de um salário mínimo”, comentou.

Os resgatados relataram ainda que, quando iam trabalhar, eram transportados na carroceria de um reboque por cerca de cinco quilômetros até o campo de trabalho, passando pelo risco constante de acidentes.

Instalações precárias de moradia

De acordo com os relatos, alguns trabalhadores dormiam em uma edificação sem banheiros, em colchões velhos espalhados pelo chão. “Outros dormiam do lado de fora da edificação, porque o lugar não suportava a todos. Então dormiam no alpendre, em redes ou colchonetes no chão”, disse Robson Waldeck.

O lugar também não tinha uma fonte de água. Por isso, a água utilizada pelos trabalhadores era trazida de cerca de cinco quilômetros do lugar onde ficavam alojados, e eles só tinham direito a tomar um banho por dia.

Ações

A equipe de fiscalização interditou a carvoaria e o processo para o pagamento das verbas rescisórias se estendeu até dezembro. Os trabalhadores foram enviados de volta para sua cidade natal, Palmas de Monte Alto, na Bahia, e receberam as verbas rescisórias a que tinham direito, além da guia para o Seguro-Desemprego. O caso segue sob investigação.