10 Set

Setembro Amarelo – O suicídio é um grande problema de saúde pública

Publicada em: 10/09/2020

A pandemia, com o isolamento social, potencializou as tendências à prática em razão das angústias e depressão geradas por todos os acontecimentos

Por Andrea Bochi
Edição: Nilza Murari

No mês de setembro, em todo o mundo, é realizada uma campanha de prevenção ao suicídio, conhecida como Setembro Amarelo. O mês foi escolhido porque o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A campanha “Setembro Amarelo”, como ficou conhecida desde 2014, tem como objetivo a conscientização sobre a necessidade de prevenção, buscando alertar a população sobre a realidade da prática no Brasil e no mundo e as formas de evitá-la. Durante o mês da campanha, costuma-se iluminar locais públicos com a cor amarela.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS, o suicídio é um grande problema de saúde pública. É a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos. Em seu relatório de 2019 a OMS registra que a cada quatro segundos no mundo uma pessoa tira a própria vida. Entretanto, o suicídio poderia ser prevenido em até 90% dos casos.

No Brasil, são 12 mil mortes por ano: 32 pessoas cometem o suicídio por dia, segundo o Ministério da Saúde. O registro é de um aumento de 6% na última década. Segundo dados, 96% das pessoas que morrem por suicídio tinham algum transtorno mental. São cerca de 250 mil tentativas de suicídio anualmente. Os homens ainda são maioria, mas o suicídio tem aumentado entre as mulheres. O Sistema Único de Saúde – SUS oferece atendimento à população por meio dos Centros de Atenção Psicossocial - CAPS, que substituíram os antigos hospitais psiquiátricos ou manicômios.

O atendimento mais humanizado busca entender a dor do outro, valorizar a queixa e o sofrimento do outro. É preciso trazer essa pessoa para mais perto, dizer a ela que você está ali para ouvi-la e não ignorar os sintomas da depressão. Há, muitas vezes, a negação do problema, por parte da família, dificultando o diagnóstico e tratamento.

De acordo com psicólogos, o aumento maior ocorre entre grupos de LGBTQI+, negros e indígenas e estão, muitas vezes, ligados à discriminação racial, exclusão social, exposição à violência, abusos, relacionamentos difíceis e outros fatores. O isolamento social durante a pandemia também contribuiu para o aumento de suicídios, não só no Brasil como no mundo.

A prática do suicídio, em geral, é motivada pela depressão. Mesmo com tantos casos, crescentes a cada ano, e toda a divulgação da campanha, ainda existe uma expressiva barreira para falar sobre o problema.

“Precisamos refletir o dia de hoje como um dia de valorização à vida. Todos, de mãos dadas, temos que compreender que as vidas que perdemos por esta razão, poderiam ser salvas e, para isso, basta ter o olhar mais atento, cuidadoso e solidário em relação ao outro. Assim, enfrentaremos de maneira mais humana e mais sólida essa chaga para toda a humanidade, que é o suicídio”, refletiu o presidente do SINAIT, Carlos Silva.

Se você precisa de ajuda ou sabe de alguém que está precisando, ligue para o Centro de Valorização da Vida – CVV pelo telefone 188 ou procure-os na internet em https://www.cvv.org.br/ . Peça ajuda para a sua família, amigos, em alguma ONG da sua cidade ou onde você se sente confortável em conversar. Você não está sozinho.

O porquê da cor amarela

Em 1994, um jovem de 17 anos chamado Mike Emme, que morava com os seus pais em Westminster, cidade no Colorado, nos Estados Unidos, se matou dentro de seu Ford Mustang 1968. O Mustang Amarelo, segundo os amigos de Mike, era seu principal passatempo. Mike reformou o carro e o tinha pintado de amarelo.

O adolescente cometeu suicídio por não saber pedir ajuda. No dia de sua morte ele deixou um recado pedindo para que seus pais não se culpassem pelo o que ele havia feito, e quando encontraram o bilhete, infelizmente já era tarde. Depois de sua morte foi descoberto que Mike tinha sinais de depressão e não estava sabendo lidar com um término de um namoro.

Por isso, durante o enterro, os pais Dale e Darlene Emme distribuíram cartões com fitas amarelas para todos os que estavam presentes. No cartão estava escrita a frase “se você está pensando em suicídio, entregue este cartão a alguém e peça ajuda!”.

Uma pessoa que estava no funeral espalhou os cartões pela cidade, e em semanas os pais de Mike começaram a receber ligações pessoas de todo o estado pedindo ajuda. Pouco tempo depois a iniciativa ganhou repercussão nacional.

Desde então começaram várias campanhas de prevenção pelo mundo, e, em todas, a cor amarela é usada para representar a campanha a fim de homenagear o jovem apaixonado pelo Mustang 1968 amarelo. ​