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Brasília recebe na quarta-feira, 23, projeto “Memória Não Morrerá”, em lembrança aos brasileiros mortos pela Covid-19

Publicada em: 21/06/2021

Os painéis, feitos por coletivos de bordadeiras de todo o Brasil, serão expostos na frente do Congresso Nacional, às 9 horas. A Auditora-Fiscal do Trabalho Patrícia Galvêas, a jornalista do SINAIT Nilza Murari, e seu pai, Jairo Murari, são alguns dos nomes homenageados

Por Dâmares Vaz e Lourdes Marinho

Edição: Andrea Bochi

Brasília recebe na quarta-feira, 23 de junho, o projeto “Memória Não Morrerá”, desenvolvido por coletivos de bordadeiras de todo o Brasil em lembrança aos mortos pela Covid-19. Às 9 horas, cerca de 40 metros de painéis bordados com os nomes das vítimas da pandemia serão expostos em frente ao Congresso Nacional. Entre os homenageados, a Auditora-Fiscal do Trabalho Patrícia Galvêas – morta em 27 de abril; a jornalista do SINAIT Nilza Murari – morta em 23 de abril, e seu pai, Jairo Murari – morto em 24 de março. No sábado, 19 de junho, o País registrou mais de meio milhão de mortos pela Covid-19.

Para marcar a exposição dos painéis, será realizada uma cerimônia em forma de réquiem pela memória das vítimas, também às 9 horas, na entrada do prédio do Congresso Nacional. Para os organizadores da iniciativa, é uma oportunidade para que parentes e amigos se despeçam dos seus mortos, já que muitos se viram impedidos de realizar as tradicionais cerimônias fúnebres.

A abertura terá um momento de silêncio pelos mortos e uma fala de representante dos grupos de bordadeiras sobre o propósito do projeto “Memória Não Morrerá”. Depois, os 14 painéis serão conduzidos em cortejo pelos participantes e colocados no gramado do Congresso, acompanhados de flores. Outras entidades, lideranças e parlamentares também se manifestarão.

Até maio, os painéis reuniam cerca de 2 mil nomes de pais, mães, tios e tias, primos e primas, filhos e filhas, avós, e amigos e amigas queridos, vítimas da Covid-19. Os bordados têm sido feitos por coletivos e indivíduos de várias partes do Brasil e do exterior, atendendo ao chamamento do coletivo Linhas do Rio.

Nos quase 40 metros de painéis bordados, nomes, corações, retratos, frases e símbolos que expressam solidariedade, respeito, dor, amor, indignação, revolta e a certeza de que é preciso reagir e transformar o luto em luta. “Ainda não é possível enxergar o ponto final desse trabalho. Mas ele mantém viva a memória dos irmãos que se foram. Eles estão presentes sempre que os painéis são expostos”, afirmam os organizadores da iniciativa.

Lugares

Os painéis estão rodando o País. No dia 30 de abril, foram exibidos em manifestação organizada pela Ong Rio de Paz, na praia de Copacabana, e no Arpoador, em Ipanema, na capital fluminense.

Em 23 de maio, estiveram na missa solene de Pentecostes na Paróquia de São Miguel Arcanjo, em São Paulo, celebrada pelo padre Julio Lancellotti. Na ocasião, o material foi abençoado pelo sacerdote.