16 Mai

ES: Família é resgatada em plantação de tomate

Publicada em: 16/05/2017

Superintendência do Espírito Santo recebe uma denúncia de trabalho escravo por dia. Devido à falta de Auditores-Fiscais do Trabalho somente os casos mais graves são atendidos

Uma equipe de cinco Auditores-Fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho do Espírito Santo – SRT/ES, coordenada por Rodrigo de Carvalho, resgatou, no dia 9 de maio, uma família inteira, de nove pessoas, submetida a condições análogas à escravidão no município de Brejetuba (ES). Eles trabalhavam numa plantação de tomate há mais de seis meses, sem receber salário. A família veio de Ilhéus (BA), atraída por promessas de um “gato”.

O Ministério do Trabalho recebeu a denúncia repassada pelo Ministério Público do Trabalho. Há cerca de 15 dias os Auditores-Fiscais estiveram no local e tiveram que recuar em razão das ameaças de que foram vítimas. Retornaram no dia 9 de maio, com reforço da Polícia Federal e uma equipe maior de Auditores-Fiscais do Trabalho. Ainda assim, a situação foi tensa.

Segundo Rodrigo de Carvalho a família recebia comida em troca do trabalho, que começava ainda de madrugada e ia até a noite. Eram vigiados e humilhados por capangas do dono da fazenda. Eles dormiam numa casa insalubre, no chão. Outras famílias estão em condição semelhante, mas não apresentaram a denúncia.

A situação, revelam os Auditores-Fiscais, é comum nas culturas do tomate e do café, para as quais um grande número de trabalhadores é arregimentado nos Estados vizinhos de Minas Gerais e Bahia. O número de denúncias é grande, chegando a ser quase de uma por dia durante todo o ano. O superintendente Alcimar Candeias, que é Auditor-Fiscal do Trabalho, afirma que o número de ações de combate ao trabalho escravo e de resgate de trabalhadores só não é maior em razão da falta de Auditores-Fiscais do Trabalho. Apenas uma equipe se dedica a atender as denúncias e tem que fazer uma triagem, elegendo os casos mais graves.

O modus operandi já é conhecido: o “gato” contrata os trabalhadores sob falsas promessas de bons ganhos e conforto. Quando chegam ao local das lavouras, os trabalhadores descobrem que estão devendo o transporte e a comida ao empregador. Já chegam com dívidas. Os cadernos apreendidos nos armazéns locais confirmam as dívidas contraídas pelos trabalhadores. Os preços das mercadorias, em geral, são mais altos do que os dos supermercados. A dívida cresce e se torna impagável, retendo sempre o salário como parte do pagamento.

Rodrigo de Carvalho informou ao Sinait que após o resgate a família foi alojada num hotel e recebeu proteção policial. A equipe retornou a Brejetuba neste domingo, 14, e na segunda-feira, 15 de maio, com a presença de um procurador do Trabalho, obteve um acordo com o empregador, para pagar parte do devido à família. Uma van foi providenciada para levar a família de volta a Ilhéus.

Veja mais informações na matéria a seguir.

13-5-2017 – A Gazeta / G1 ES

15-5-2017 – A Gazeta / G1 ES

 

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